O Município de Santo Inácio do Piauí, gerido pelo prefeito Dr. Auro Aparecido (PT), ingressou com uma ação civil pública na Justiça para obrigar a Águas do Piauí a restabelecer e regularizar o abastecimento de água na cidade. A ação, protocolada na Comarca de Simplício Mendes, também pede a concessão de liminar diante do que a administração municipal classifica como uma crise grave e generalizada no fornecimento de água.
Na ação, a prefeitura afirma que moradores enfrentam períodos prolongados sem abastecimento e que a situação teria se agravado a partir de julho deste ano. Segundo a gestão, o problema também atingiu unidades de ensino e outros serviços públicos, levando o poder público municipal a utilizar carros-pipa para distribuir água a residências e escolas.
Entre os elementos apresentados à Justiça estão protocolos de reclamações de usuários, registros audiovisuais de torneiras sem água, vazamentos em vias públicas, tubulações expostas e água com aspecto visivelmente turvo. A Prefeitura também afirma ter reunido registros de intervenções na rede que ainda não teriam sido concluídas.
De acordo com a ação, escolas municipais e estaduais também teriam sido afetadas pela falta de água, com comprometimento de atividades. O município cita o CETI João de Sousa Moura, a Unidade Escolar Municipal Pedro Ferreira e a Escola Tia Loura como unidades que teriam enfrentado consequências do desabastecimento.
A prefeitura afirma ainda que precisou mobilizar carros-pipa para minimizar os efeitos da crise. Para o município, a medida possui caráter emergencial e não pode substituir de forma permanente o abastecimento regular por meio da rede pública.
“A população não pode ser obrigada a conviver com torneiras secas enquanto protocolos se acumulam. Não pode aceitar como rotina que escolas dependam de caminhões-pipa para funcionar. Não pode ser chamada a compreender indefinidamente questões internas de concessão, regulação ou operação sem receber a prestação que constitui a razão de existência de todo esse aparato institucional”, destaca a ação.
Pedidos à Justiça
Na ação, a administração municipal pede que a Justiça determine à Águas do Piauí a adoção imediata de medidas para normalizar o abastecimento.
Entre os pedidos está a apresentação, em até seis horas após eventual intimação judicial, de um responsável técnico e de um canal institucional permanente para interlocução com o município e o Judiciário durante a crise.
A prefeitura também pede que a concessionária apresente um relatório técnico com as causas conhecidas ou prováveis do desabastecimento, a situação de captações, poços, bombas, reservatórios e da rede, além das intervenções em andamento e de um cronograma de normalização.
Outro pedido é para que o abastecimento seja normalizado, com manutenção de um sistema de contingência enquanto persistir eventual incapacidade da rede.
Qualidade da água
Diante dos relatos de água visualmente turva, o município pede ainda que a concessionária realize coleta de amostras em pontos representativos da cidade, inclusive em locais onde houve registros de alteração na aparência da água e em unidades públicas.

